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As Causas

As causas podem ser directas, induzidas ou de origem mista. As principais e mais devastadoras são as directas e, dentre elas, destacam-se a actividade vulcânica e as chuvas intensas.

A ocorrência de acidentes geomorfológicos é de origem induzida pelo homem quando decorre da actividade humana, que provoca alterações do meio ambiente com impacto na estrutura do solo, no coberto vegetal, na disponibilidade da água e outras alterações sentidas a longo prazo.

Os acidentes devem-se a causa mista quando um fenómeno geomorfológico que constitui o processo de evolução natural do relevo, no sentido da estabilidade e equilíbrio, ocorre em zonas reconhecidas como de risco, onde a ocupação humana potencia o seu surgimento. 

 

Causas directas:

As causas directas destes acidentes são as de origem natural, tais como sismos, erupções vulcânicas, actividade vulcânica premonitória e as chuvas intensas.

O movimento de grandes quantidades de lamas e rocha por acção da gravidade, em consequência de actividade vulcânica, como são exemplos Peru, Chimbote (1979) e, mais recentemente El Salvador (2001), constitui das piores catástrofes naturais. 

À existência de actividade vulcânica acresce, nas proximidades de zonas elevadas e com neve, o risco de avalanche. Noutros casos, como aconteceu nas Filipinas, Monte Pinatubo (1991), a actividade vulcânica que antecedeu a erupção, provocou o acumular de lamas que, juntamente com os vapores, vieram a formar escoadas destruidoras. 

 

Causas induzidas e de origem mista:

Um acidente geomorfológico pode classificar-se de causa mista quando um factor natural desencadeia o acidente, mas onde existe também a condicionante de origem antrópica que se reporta ao facto de o elemento humano estar instalado em zonas limite de morfologias diferentes. 

Como exemplo de um acidente de causa mista, refira-se a tragédia que aconteceu nos Açores, povoação de Ribeira Quente (1997), no qual a causa directa foram as fortes chuvadas e o seu prolongamento, mas o facto desta comunidade se ter fixado no sopé de uma encosta, na qual existiam antecedentes de ocorrências similares, classifica-o de causa mista.

Muitos mais exemplos recentes se podem relembrar. Nas ilhas dos arquipélagos da Madeira e Açores, existem também vários registos de deslizamento de terras que se repetem todos os anos e para os quais não se têm tomado as medidas básicas de prevenção.

No território Continental, durante o mês de Janeiro de 2001, na Área Metropolitana de Lisboa, foram vários os deslizamentos de terrenos ao longo de taludes. Igualmente na zona norte do País, Régua, foram vários os acidentes de deslizamento que provocaram no total 4 mortos e estragos materiais em casas e estradas. 

 

A importância do homem nas ocorrências:

Através de estudos desenvolvidos, tem-se constatado o aumento deste tipo de acidentes e, consequentemente, o incremento de danos em todo o mundo. Sobretudo nos últimos 50 anos, de acordo com estimativas da ONU, houve três milhões de vítimas e prejuízos económicos incalculáveis. Esta organização tem estado atenta à necessidade de se estabelecerem medidas que minimizem as consequências sociais e económicas causadas por estas catástrofes.

Tornou-se muito claro que, na base das causas responsáveis por esse aumento, acrescem, à acção da natureza, as razões do progresso.

 

Deslizamento de Terras - S. Salvador, Janeiro de 2001

 

O tipo de ocupação humana tem influenciado reconhecidamente a sua ocorrência. O crescimento exponencial das superfícies urbanizadas em áreas de limite de geomorfologias diferentes, normalmente mais expostas a perigos naturais e por isso inadequadas à edificação, a contínua desflorestação, a industrialização, o abandono das zonas rurais, a mudança dos leitos de rio, a poluição atmosférica e dos solos, entre outras intervenções humanas, justificam as alterações climáticas que implicaram, para muitos países, o aumento da intensidade e frequência da precipitação, induzindo este risco.

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